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12 de março de 2011

Romeiros São Miguel - Açores

As estradas da Ilha de São Miguel começam no sábado a ser percorridas pelos romeiros, cumprindo uma tradição quaresmal que remonta ao século XVI e que envolve cada vez mais jovens, num momento de oração e reflexão.

Os romeiros, organizados por localidades, devem fazer o percurso sempre com o mar pela esquerda, passando pelo maior número possível de igrejas e ermidas existentes na ilha.

Vão rezando pelas suas vidas, de alguém muito próximo ou das pessoas que encontram nas ruas.
Dormindo e comendo em casas de pessoas que os acolhem em diferentes localidades.. vagueando pelas estradas.. entoando cânticos de louvor ou simplesmente rezando o terço pelas pessoas que encontram no caminho.

O que a Romaria retrata.. “São momentos de intimidade e fraternidade. Vivemos intensamente a oração, meditando e rezando em comunhão. É uma experiência extraordinária", "uma introspecção à nossa vida".

A caminhada começa no fim-de-semana que se segue à Quarta-Feira de Cinzas e os últimos terminam na Quinta-Feira Santa.

No total, são 57 os 'ranchos' de romeiros que vão percorrer este ano as estradas de S. Miguel, num total de mais de 2.500 homens, que cumprem entre 250 e 300 quilómetros durante uma semana, trajados com xaile, lenço, saco para alimentos, bordão e terço, entoando cânticos e rezando.


1 de maio de 2009

As Ilhas Desconhecidas



85 Anos depois da viagem de Raul Brandão, sinta as cores e os contrastes dos Açores...



Um dos principais livros de viagens da literatura portuguesa e, sem dúvida, o maior escrito no último século, “As Ilhas Desconhecidas” de Raul Brandão (1867-1930) é o relato de uma longa digressão pelos arquipélagos dos Açores e da Madeira, entre Junho e Agosto de 1924. Uma época em que as paisagens, tradições, modos de vida e costumes insulares eram ainda muito pouco conhecidos no continente. É uma descoberta fascinante de mundos longínquos, exóticos e mágicos que Brandão descreve de forma intensa, apaixonada, num estilo fortemente visual e pictórico, transmitindo-nos a atmosfera, as cores sempre em mutação, os contrastes e o espírito dos lugares, as combinações múltiplas entre os quatro elementos: ar, água, terra, fogo.
De Lisboa ao Corvo – título, aliás, do primeiro capítulo do livro – resume a trajectória essencial entre o conhecido e o desconhecido, esse desconhecido que tem como pólo magnético a mais pequena ilha dos Açores, onde Brandão vai encontrar uma comunidade absolutamente singular no seu isolamento ancestral. Mas se o Corvo parece ser o principal centro da curiosidade e obsessão do viajante, a descoberta da Floresta Adormecida (ilha das Flores), da Ilha Azul (Faial) e da ilha negra do Pico, a pesca da baleia e o ambiente fabuloso do Atlântico Açoriano, as lagoas e jardins de S. Miguel acabam por ser envolvidos num idêntico fascínio e perturbação dos sentidos, como se o mistério da Atlântida desaparecida pairasse no ar e no fogo das origens vulcânicas das ilhas.

Veja os documentários em: http://ww1.rtp.pt/blogs/programas/ilhas-desconhecidas/ [encontrarão 2 videos realizados pela RTP].

5 de fevereiro de 2009

Costumes e tradições.. Dia das Amigas!

Hoje na ilha de São Miguel, Açores comemora-se o dia das amigas..

Um dia hilariante em que a partir de certa hora só vemos mulheres nas ruas.. onde as amigas trocam pequenas prendas, trocam mensagens (com as que se encontram mais distantes) e jantam ou almoçam fora e depois vão até a um pub ou discoteca para se divertirem e aliviarem o dia a dia comum..



Há umas que até striptease têm direito..

Este percurso de semana a semana é como se uma preparação da alegria do Carnaval se tratasse, manda a tradição que as 4 quintas-feiras que antecedem o Carnaval sejam celebradas na seguinte ordem crescente: o dia dos amigos, o dia das amigas, o dia dos compadres e o dia das comadres

Quando começou tradição, única em todo o País, ninguém sabe ao certo. Manuel Ferreira, escritor e investigador, diz que garantidamente "estes dias já se celebravam no final do século XIX" e que, ainda hoje, curiosamente, muitos emigrantes que vivem em terras além-mar do continente americano a mantêm viva. Embora, na altura, com certeza mais comedida e com outros contornos.

O arranque deste ciclo começou na última quinta-feira com o Dia de Amigos, mas é hoje, verdadeiramente, que a noite é passada em claro sendo invadida por grupos de mulheres e cabendo aos cavalheiros ficar em casa.

Enfim..

Costumes da minha terra.

DIVIRTAM-SE!!!

1 de fevereiro de 2009

Mau tempo em Portugal..

O Inverno chegou a toda a força em Janeiro..

A protecção civil diz que não chove tanto à mais de 30 anos, mas também há muita neve..

Aqui ficam imagens de neve na Ilha das Flores (ponto mais ocidental da Europa) na semana que passou..

Não comecem a cuidar do planeta não.





Morro Alto - Ilha das Flores - Açores
Portugal

7 de janeiro de 2009

Escrito numa ânfora grega


E o teu amor que espalha a tinta
Na minha tela da cor da sede
Paisagem que a tua paixão pinta
Para eu pendurar numa parede.

Candidatura a bem-amado
Das minhas núpcias de aracnídeo,
Contigo a ver-me de um telhado,
Altura própria para um suicídio.

Mas prometida a um olhar marujo
Na lenda de um Fáon que nunca chega,
Quanto mais me amas, mais eu te fujo.
Falta cumprir a sina grega.




""
Natália Correia
Poesia Completa
Publicações Dom Quixote
1999

17 de dezembro de 2008

Natália Correia a coleccionadora de arte..



Guardadora, mais do que coleccionadora, de memórias, a poetisa tornou as artes plásticas no núcleo principal do seu riquissimo, e quase desconhecido,acervo artístico.

Com a serena volúpia, Natália Correia foi juntando ao longo da vida desenhos, gravuras e quadros de grandes autores do seu tempo. A maior parte deles integrou mesmo o círculo de amigos intimos que criou e perservou, caso de Almada Negreiros, Mário Cesariny, António Dacosta, Abel Manta, Júlio Pomar, José Escada, Artur Bual, Lima de Freitas, Lagoa Henriques. Ela própria afirmar-se-ia uma retratista (e aguarelista) excepcional, embora fugaz. "Pintei por desespero, durante um ano, após a morte da minha mãe", revelou. "Fiz o luto por ela dessa maneira, por não conseguir escrever, já que a poesia inquieta mais do que apazigua". Almada tentou, aliás, que ela continuasse, dado o excepcional talento revelado nesse campo. Em vão, porém. Tornar público o seu surpreendente legado (pena que o não seja na totalidade nem no espaço da casa onde nasceu na Fajã de Baixo, como pedira) torna-se, assim, uma maneira de as ilhas a vificarem e vificarem a si próprias.

O espólio de Natália Correia patente na Igreja do Colégio em Ponta Delgada, também vai ser exibido nas restantes ilhas do Açores.



Keeper, much more than a collector, of memories, the poetess made fine arts the main nucleus of a very rich, and largely unknown, private collection.

With severe lust, Natália Correia throughout her life collected drawing, prints, and paintings by the great portugues artists of her time. Most of them were part of her intimate circle of friends which included Almada Negreiros, Mário Cesariny, António Dacosta, Abel Manta, Júlio Pomar, José Escada, Artur Bual, Lima de Freitas, Lagoa Henrique. She herself became a good portrait and watercolour artist, but only for a short period. " I painted out of despair, for a year, after my mother's death", she revealed. " I mourned her that way, for not being able to write, since poetry unsettles more than it clam". Almada tried, in fact, to get her to carry on painting, given her exepcional talent. It was, however, in vain.
Making public her surprising legacy becomes, thus, a way for the islands to record her - and record themselves too. It is a shame that it is not the entire collection and that it isn't in teh fajã de Baixo house in which she was born, and wich had been her request for the showing the collection.

On show at the Igreja do Colégio in Ponta Degada, Azores, Natália Correia's collection will be exhibited in the other Azores islands for 12 months.



in the "Azorean Spirit"

15 de setembro de 2008

Momento Musical IX

Um tributo à terra que me viu nascer..



Pedro Ayres Magalhães, músico, compositor, guitarrista.
Um dia ao passar pelos açores esboçou esta brilhante peça.
Sendo açoriana, apenas tenho a dizer: - Faz todo o sentido!

Deixo-vos "As Ilhas dos Açores" interpretada pelos Madredeus.

14 de abril de 2008

04m e 05s de puro extase...

Para quem já correu quase todas as "raças" de aviões existentes...
MAS NÃO GOSTA DE VOAR!!!


Vai-se lá perceber.. Mas de todos, o preferido é e será sempre este..




Gostaram??

8 de novembro de 2007

Açores classificadas em 2º lugar pela National Geographic a nível mundial!!!


As ilhas do arquipélago dos Açores foram eleitas como as segundas melhores do mundo para o turismo, num estudo da revista National Geographic Traveler, publicado na edição
de Novembro/Dezembro deste ano.

A notícia está aqui e o estudo mais aprofundado está aqui.





A National Geographic Traveler (NGT) apresentou hoje, uma lista com as ilhas e arquipélagos classificadas como os melhores destinos turísticos de todo o mundo.

De entre as 111 ilhas e arquipélagos analisados nesta lista, os Açores obtiveram uma honrosa posição, o segundo lugar com 84 pontos, numa pontuação de zero a cem, sendo por isso classificados como, "um sítio maravilhoso. Ambientalmente em boa forma". Ficando apenas atrás das Ilhas Faroe na Dinamarca que obtiveram 87 pontos.

Estes pontos foram obtidos através de 522 peritos em turismo sustentável, que registaram os destinos em risco de sucumbir à pressão turística e os que conseguiram encontrar um equilíbrio: “os nossos 522 especialistas votaram nos destinos que devem evitar o perigo, os que estão sucumbir a ele e quais o que pendem na balança”.

A apreciação feita pelos 522 peritos em turismo sustentável às ilhas foi: “não é um destino de praia, caso contrário seria susceptível ao turismo de massa. De facto, o seu clima caprichoso provavelmente impede o fluxo de turistas. As verdes e vulcânicas montanhas das ilhas e as pitorescas cidades a preto e branco aparentam estar intactas.

Belo lugar. Estrutura ambiental em boa forma. Os habitantes locais são muito sofisticados, uma vez que muitos viveram além-mar.
Distantes e temperados os Açores permanecem levemente turísticos.
O principal tipo de visitante é o turista independente que fica em “Bed&Breakfeast” (alojamento tipo “Cama&Pequeno-almoço). O ecossistema – desde as belas colinas das Flores às baías rochosas da Terceira — está em grande forma. As baleias são ainda uma vista frequente. A cultura local é forte e vibrante, habituada a convidar alguém para um jantar em casa, ou bem receber para uma refeição durante as festividades”.

A avaliação foi feita com base nas seguintes classificações de 0-25: “Catastrófico: Todos os critérios são muito negativos, perspectivas negativas”; 26-49: “Com sérios problemas”; 50-65: “Com problemas moderados: todos os critérios em negativo-médio ou um misto de factores negativos e positivos”; 66-85: “dificuldades menores”; 86-95: “Autêntico, conservado e com probabilidade de se manter assim”; 96-100: “Destacado”.


Aqui fica o TOP 20 das ilhas e arquipélagos classificados, segundo a NGT, como: os melhores destinos turísticos.

The list, by score

87 Faroe Islands, Denmark
84 Azores, Portugal
82 Lofoten, Norway
82 Shetland Islands, Scotland
82 Chiloé, Chile
81 Isle of Skye, Scotland
80 Kangaroo Island, South Australia
80 Mackinac Island, Michigan
80 Iceland
79 Molokai, Hawaii
78 Aran Islands, Ireland
78 Texel, Netherlands
77 Dominica
77 Grenadines
76 Tasmania
76 Bora Bora, French Polynesia

76 Fraser Island, Australia
76 Bornholm, Denmark
76 Hydra (Ídra), Greece
76 Falkland Islands (U.K.)

(...)





Azores, Portugal
Score: 84

"Not a beach destination or otherwise susceptible to mass tourism; indeed, its capricious climate probably impedes the flow of tourists. The islands' green volcanic mountains and picturesque black-and-white towns look set to remain unspoiled."

"Wonderful place. Built environment in good shape. Locals are very sophisticated as most have lived overseas."

"Remote and temperate, the Azores remain lightly touristed. Main visitor type is the independent traveler staying in B&Bs. The ecosystem—from the beautiful hydrangea-covered hills of Flores to the rock-bottomed bays of Terceira—is in great shape. Whales still a frequent sight. Local culture strong and vibrant. Not uncommon to be invited to a person's house for dinner, or welcomed into a communal meal during a festival."


13 de setembro de 2007



"Solto em noite de bruma
Meu amor por sobre o mar
Feito sol azul espuma
Barca bela por navegar

E na distância chora
minha alma por te encontrar
solta no vento do tempo
que teima em não chegar

Repetem as ondas teu nome
num lento e doce ecoar
dança que as horas repetem
aos olhos que não te vêem voltar"





Poema- Susana Rosa
Imagem - "night" Sir Edward Jones


16 de agosto de 2007

Bodas de Ouro do Grupo Folclórico Ilha Verde

O Grupo Folclórico Ilha Verde foi fundado em 1957, como actividade extra-curricular da Escola Domingos Rebelo, sob a orientação de uma professora de cidadania alemã, profundamente interessada na cultura popular da Ilha, a Drª Ortrud Shaale.

Nestes 50 anos de existência o grupo percorreu Portugal Continental de Norte a Sul, Madeira e a maioria das ilhas dos Açores; no Estrangeiro Espanha, França, Canadá e Estados Unidos.

Do seu extenso historial de onde constam centenas de exibições em festivais, festas tradicionais e particulares, em hotéis, restaurantes, bares, navios, bem como em muitos eventos de solidariedade social, cumpre destacar:

O 1º lugar obtido, de entre os 40 grupos participantes, no Concurso Internacional de Folclore "Fête des Filets Bleus" em Concarneau, França , no ano de 1994, graças à sua capacidade técnica, vivacidade e óptima representação da cultura popular;

Com os seus 40 elementos e apresentando unicamente instrumentos de corda o Grupo Folclórico Ilha Verde é um dos mais fiéis depositários e intérpretes dos cantares, balhos e trajos regionais, sendo considerado, em termos académicos, o grupo mais antigo de Portugal.



BEM HAJA!!!

29 de julho de 2007

Hydrangea Macrophylla ou Hydrangea Francesa

Hortência ou Novelão (de novelo, como é chamada nos Açores).

Planta da família das Hydrangeaceae. Decoram os caminhos e dividem os pastos nos Açores.

A sua cor depende do tipo de solo (PH) onde está plantada:

- Solos ácidos produzem flores azuis
- Solos alcalinos
produzem flores cor-de-rosa
- Solos neutros
produzem flores brancas.


6 de julho de 2007

7-7-7

Estou, até domingo, no meio do Atlântico, para comemorar o 50º aniversário da mamã...


07-07-2007

20 de junho de 2007


– "Sonham comigo tuas mãos esguias,
As tuas mãos esguias no regaço,
Minhas saudades são as pedrarias,
Estrelas dos teus dedos no espaço (...)"




(Orpheu - Armando Cortes-Rodrigues)
(imagem da net)

15 de junho de 2007

Chá dos Açores


Portugal é o único país na Europa que produz chá.. É na ilha de São Miguel (nos Açores) onde se encontram as plantações que se acredita terem sido inseridas por volta de 1750.





Breve nota histórica:

A utilização do chá, cuja planta é designada por: Camellia Sinensis (L.) O. Kuntze), ao que parece, começou por ter um carácter medicinal e o seu uso como bebida, preparada a partir de infusão das folhas de chá, data de há milénios. Segundo a lenda deve-se ao imperador Shen Nung (2737 a.c.) a descoberta das propriedades estimulantes do chá. O tratado de Lu Yu, primeiro tratado sobre chá escrito no séc. VIII durante a dinastia Tang, ajudou a imortalizar o papel da China como responsável pela introdução do chá no mundo. No século seguinte a cultura do chá foi introduzida no Japão por um monge budista.
A cultura resultou com êxito e desenvolveu-se rapidamente, talvez única na história dos produtos de consumo humano e que tocou não só o domínio técnico e económico mas também, e principalmente, os domínios artístico, poético, filosófico e mesmo religioso, envolvendo o consumo de chá nestes dois países, mas principalmente no Japão, um cerimonial por vezes complexo mas sempre de grande significado. A sua introdução na Europa só se veio a verificar no início do séc. XVII, em consequência do comércio que então se estabelecia entre a Europa e o Oriente. Teriam sido os holandeses a trazer pela primeira vez o chá à Europa, sendo responsáveis pela intensificação do seu comércio mais tarde desenvolvido pelos ingleses. O chá era importado por intermédio da famosa “Tea English East Indian Company”, que detinha o monopólio do comércio de chá com a Ásia e que em 1715 se estabeleceu em Cantão passando a gozar de uma situação privilegiada. Esta manteve-se até 1833, altura em que se viu forçada a procurar novas fontes de abastecimento; virou-se então para as possessões da Inglaterra na Ásia (India e Ceilão) onde introduziu a cultura, primeiro na India e depois em Ceilão.
Na Inglaterra, o seu consumo intensificou-se rapidamente e a partir de meados do séc. XVIII o chá tornou-se a bebida de eleição de todas as classes sociais. É de sublinhar a popularidade que ainda hoje goza neste país, sendo bem conhecido o lugar que esta bebida ocupa na vida de todo o cidadão britânico. A sua popularidade estendeu-se aos países onde a influência inglesa se fez sentir, primeiro nos EUA depois a Austrália e o Canadá Actualmente o chá é a bebida mais consumida em todo o mundo. Em território português, presentemente, o chá só é cultivado em S. Miguel nos Açores onde a cultura, que se pratica desde finais do século XIX.



A produção do chá nos Açores:

Não havendo um registo oficial da data de introdução do chá na ilha de São Miguel, a partir de vários relatos acredita-se a inserção inicial datar de 1750.




Em 1874, chegaram aos Açores (Ilha de S. Miguel) as primeiras sementes de Camellia sinensis e, alguns anos mais tarde, foram chamados dois especialistas chineses que se dedicaram a ensinar aos fabricantes locais as técnicas de preparação das folhas. Todas as variedades de chá provêm dos rebentos jovens desta planta, as diferenças derivam do clima, do período da colheita e do tratamento a que são submetidos posteriormente. Chegaram a funcionar na Ilha de São Miguel mais de uma dezena de plantações com fábrica própria. Entre elas encontrava-se a Gorreana que é actualmente, a única plantação com fábrica de chá de toda a Europa. A Gorreana explora 23 hectares, uma área capaz de produzir cerca de 40 toneladas de chá seco. São necessários em média, cerca de 4 Kg de folhas de chá fresco para obter 1 Kg de chá seco pronto para infusão.



"As imensas fileiras dos verdes arbustos que envolvem a Gorreana, proporciona a matéria prima essencial de todas as variedades de chá que aqui é produzido. Apesar de ser a mesma planta que fornece todo o chá, partes diferentes da folha são usados para criar cada um. Posteriormente à separação das mesmas, vários processos e tratamentos determinaram que tipo de chá será obtido. Dentre estes está o tamanho da folha após a secagem.
Assim na Gorreana produz-se 3 tipos de chá preto:
- Orange Pekoe - Broken Leaf - Pekoe -
Sendo que o único tipo de chá verde é:
- Hysson -"



A Gorreana produz chá verde e chá preto ortodoxo, assim designado porque durante o processo de transformação das folhas estas ficam na sua maioria, enroladas e inteiras- tal como acontecia com o chá que era trabalhado com as mãos e não por meio das novas tecnologias, que deixam as folhas partidas ou esmagadas.

Hoje em dia para além da Gorreana existe outra fábrica também situada na costa norte da ilha de São Miguel, em Porto Formoso. O chá do Porto Formoso, esta fábrica teve o ponto alto da sua actividade na década de 20 a 80. Reabriu em 1998 com novos donos. Esta ainda preserva os usos e costumes da apanha manual do chá.



(A chavena de chá - Columbano Bordalo Pinheiro)


11 de junho de 2007

Garça Perdida


Anoiteceu no meu olhar de feiticeira,
de estrela do mar, de céu, de lua cheia,
de garça perdida na areia.
Anoiteceu no meu olhar,
perdi as penas, não posso voar,
deixei filhos e ninhos,
cuidados, carinhos, no mar...
Só sei voar dentro de mim
neste sonho de abraçar
o céu sem fim, o mar, a terra inteira!
E trago o mar dentro de mim,
com o céu vivo a sonhar e vou sonhar até ao fim,
até não mais acordar...
Então, voltarei a cruzar este céu e este mar,
voarei, voarei sem parar à volta da terra inteira!
Ninhos faria de lua cheia e depois,
dormiria na areia...



Este é um dos poemas de João Mendonça, composto para ser musicado por Dulce Pontes.

João Mendonça foi um poeta e letrista açoriano que desapareceu de entre nós de uma forma fulminantemente tremenda..e foi para sempre esquecido..
Esta é uma pequenina homenagem aos seus feitos..




Pequena biografia:



Nasceu na ilha de São Miguel, Açores, em 22 de Junho de 1947 e faleceu a 03 de Agosto de 2004. Poeta, escreveu um único livro "Fragmentos". Fragmentos daquilo que escreveu sobre si, sobre as pessoas que amava, daquilo que era, daquilo que não foi e gostaria ter sido, e daquilo que nunca será. "Por isso, eu sou esta ilha que há em mim e que em ilha me transforma"












Dulce Pontes ( que gravou vários temas deste poeta) no seu novo álbum “O coração tem três portas” relembra e homenageia o poeta da seguinte forma: "Este é um tema muito autêntico, de uma grande verdade e em que homenageio um querido amigo", realçou.




A Verdade do Poeta

É de sonhos que tece
A verdade do poeta
E a poesia acontece
Quando o poeta se esquece
De acordar na hora certa

Com o corpo adormecido
E a alma bem desperta
A vida faz mais sentido
E murmura ao ouvido
Do sonho a palavra certa

E depois é só trocar
Por palavras sentimentos
E as emoções enganar
E fazê-las confessar
Os verdadeiros intentos

É roubar ao pôr-do-Sol
Um raio de luz derradeiro
E fazer dele um farol
Que ilumine o mundo inteiro.






5 de junho de 2007

A Vós..




Quando o lugar que nos rodeia é pequeno,
E as personagens que por lá vagueiam são vazias,
Mesmo que deslumbrante, torna-se efémera a beleza..
Pois a vontade de arrasar o fraco é do demo..

Abutres que buscais o que não sabeis
E jamais conhecereis, pois sois desprovidos de alma..


Magoais o génio, o artista.. o Homem.


Um dia ireis chorar por ele..



A todos vós o meu desejo

FELICES SINT!!!



31 de maio de 2007

Noturno

Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a Lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento...

Como um canto longínquo - triste e lento-
Que voga e subtilmente se insinua,
Sobre o meu coração que tumultua,
Tu vestes pouco a pouco o esquecimento...

A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando. entre visões, o eterno Bem.

E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém!

Antero de Quental




(night Sir Edward Burne Jones)


20 de maio de 2007

Era uma vez.. as ilhas azuis

(Carta Açores - Abrahm/Ortelius 1584)

Durante muito tempo, desde que , há quase 600 anos quando pela primeira vez, que de saiba, um ser humano pisou uma destas ilhas, foi por mar que se chegou à última fronteira da Europa, aquela que é hoje a Região Autónoma dos Açores, com cerca de 237 413 habitantes. Território de descontinuidade geográfica, no Atlântico nordeste, as ilhas mais próximas da Península Ibérica, Açores, Madeira e Canárias, são hoje colectivamente designadas por Macarronésia, designação com raízes nas lendárias ilhas Afortunadas. Os Açores situam-se no nordeste do Oceano Atlântico entre os 36º e os 43º de latitude Norte e os 31º de longitude Oeste. Dito de outra forma, os territórios que lhe estão mais próximos são a Península Ibérica, a cerca de dois mil km a leste, a Madeira a 1200 km a sueste, Nova Escócia a 2300 km a noroeste e Bermuda a 3500 km a sudoeste...




As primeiras referências às ilhas dos Açores aparecem em documentos portugueses da primeira metade do séc. XV e o povoamento terá começado por volta de 1432, não só com portugueses, vindos na sua maioria do Algarve e Alentejo, mas também com flamengos, bretões e outros europeus e norte-africanos.
O descobrimento do Arquipélago é uma das questões mais controversas da história da navegação portuguesa do séc. XV. Ao certo, sabe-se que Gonçalo Velho chegou à ilha de Santa Maria em 1431, decorrendo nos anos seguintes o (re)descobrimento - ou reconhecimento - das restantes ilhas, no sentido de progressão de leste para oeste (São Miguel, Terceira, São Jorge, Pico, Faial, Graciosa, Corvo, Flores).




A terra era fértil e cheia de potencialidades, tal como é nos nossos dias, mas foi preciso muito trabalho árduo dos colonos, os quais, para cultivarem, tiveram de desbastar densos arvoredos que proporcionavam matéria-prima para exportação, produção escultórica (cedro) e construção naval. O cultivo de cereais e a criação de gado (trazido nas embarcações), foram as actividades predominantes, com o trigo a registar uma produção considerável. A produção de pastel e da urzela e a sua industrialização para exportação destinada a tinturaria, também desempenhou papel relevante na economia. No século XVII, as matérias-primas tintureiras sofreriam uma recessão, sendo substituídas pelo linho e a laranja. A primeira exportação de laranjas surgiu no séc. XVIII.




Em finais de Setecentos, regista-se o inicio de uma das mais expressivas e actividades económicas açorianas: a caça ao cachalote e a outros cetáceos. Na maior ilha açoriana, São Miguel, tanto a produção de chá, tabaco como de álcool e açúcar revelam-se marcantes no séc. XIX para a economia da ilha..

Porquê Açores?

A atribuição do nome ao arquipélago é outra questão tão controversa quanto a datação da sua descoberta. A explicação mais comum atribui o "baptismo" à abundância de aves identificadas pelos marinheiros portugueses como pertencentes à espécie Açor. Só que a única ave rapina identificada até aos nosso dias no arquipélago é o milhafre (Buteo buteo rotschildi), persistindo dúvidas entre especialistas se ao tempo da descoberta a suposta população de milhafres (que se alimentam de roedores) fosse tão numerosa a ponto de os destacar no meio das grandes populações de aves marinhas e de pombos torcazes, então existentes.




Assim, conforme a Wikipédia, uma explicação bem mais plausível parece ser o aportuguesamento da designação genovesa ou florentina das míticas ilhas azuis. A partir do vocábulo "azzurre", ou "azzorre", isto é azuis, terá nascido o nome Açores hoje usado. Segundo a mesma fonte, o carregado verde azulado da vegetação nativa dos Açores, que então totalmente recobria as ilhas, fazem-nas parecer azuis, mesmo quando vistas a curta distância..



Como já se escreveu, são 9 ilhas, divididas em 3 grupos.O Oriental (São Miguel e Santa Maria, em que um grupo de rochedos e recifes oceânicos, sitos a nordeste de Santa Maria, chamado ilhéu das Formigas, ou simplesmente Formigas, que em conjunto com o recife do Dollabarat, constituem a Reserva Natural do Ilhéu das Formigas, um dos locais mais importantes para conservação da biosfera marinha do nordeste do Atlântico),



o grupo Central (Terceira, S. Jorge, Faial, Pico e Graciosa) e, por fim o grupo Ocidental (Corvo e Flores, esta última o ponto mais ocidental da Europa.. para quem não sabe.. lol).
Por outro lado, o ponto mais alto do arquipélago e de Portugal continental é a montanha da Ilha do Pico ou " o pico do Pico", com a altitude de 2352 metros, cujo cume trespassa as nuvens!!



O clima é temperado, registando-se temperaturas médias de 13ºC no Inverno e de 24ºC no Verão. A corrente do Golfo, que passa relativamente perto, mantém a água do mar a uma temperatura entre os 17ºC e os 23ºC. O ar, esse é HÚMIDO, com a humidade relativa média de cerca de 75%. Dizem os locais, com saber de experiência feita que, nos Açores, chega a "fazer as quatro estações do ano num só dia!"
A origem vulcânica das ilhas revela-se respeitadora particularmente na ilha de São Miguel, famoso vale das Furnas com as suas fumarolas, caldeiras fumegantes e águas quentes. A mais recente actividade terrestre foi o vulcão dos Capelinhos, na ilha do Faial, nos anos 1957 e 1958.





Já uma vila dos Açores
Loze ligeira no horizonte.
Será num alto das Flores,
No Pico ou logo de fronte,
Espraiadinha num cume
Ou encolhida em Calheta?
O ser nossa é que resume
Seus amores de pedra preta.
Para vila da Lagoa
Falta-lhe a cidade ao pé,
A distância de Lisboa
Já não me lembro qual é.
Para Vila Franca ser
Falta-lhe o ilhéu à ilharga,
É airosa pra se ver,
Mais comprida do que larga.
Povoação não me parece,
Nos padieiros não condiz,
Aos camiões estremece,
Mas não aguenta juíz.
Pra Ribeira Grande falta-lhe
O José Tavares no quintal,
Rija cantaria salta-lhe
Dos cunhais, branca de cal,
Mas não é Ribeira Grande:
Essa merecia foral!
No dia em que haja quem mande
Será cidade mural.
Nordeste - só enganada
Na vista da Ilha Terceira,
Longe de Ponta Delgada,
Sua sede verdadeira.
Nem Vila do Porto altiva,
A mais velha da fiada,
Em suas ruas cativa
Como princesa encantada.
De cimento a remendaram,
Coroaram-na de aviões,
Mas eternos lhe ficaram
Os bojos dos seus tàlhões.
Se é a Praia da Vitória
Não lhe reconheço a saia:
Enchem-lhe a areia de escória,
Ninguém diz que é a mesma Praia.
Talvez seja Santa Cruz
Da Graciosa, ou a sua Praia,
Com o Carapacho e a Luz
Cheirando a lenha de faia.
De S. Jorge a alva Calheta
Ou a clara vila das Velas,
E o alto, alvadio Topo
Com um monte de pedra preta
Dando realce às janelas.
As Lajes ou o Cais do Pico,
A escoteira Madalena
Vilas são de vinho rico,
Qual delas a mais morena.
Santa Cruz das Flores seria
Essa vila açoriana
Ou as Lajes de cantaria
Do bom Pimentel soberana.
Finalmente, só o Rosário,
Que do Corvo vila é,
Pequena como um armário
Ou um chinelinho de pé.
Mas não é nenhuma delas,
Nem Água de Pau, que o foi,
S. Sebastião, ou Capelas,
Da Terceira arca de boi
Como a nossa Vila Nova,
Que nem chegou a ser vila,
Tão branca na sua cova,
Tão airosa, tão tranquila.
Ah, já sei! É delas, fundo,
Que o muro alvo se perfila
Contra os corsários do mundo
Que invejam a nossa vila,
Nosso povo, na folia
De uma rocha de mar bravo,
Que o Guião da autonomia
Só por morte torna escravo.



Rocha do Mar por Vitorino Nemésio

24 de Abril de 1976






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