Irei a Évora descobrir o brancoA ogiva o arco a rosácea a nave
A praça como pátio
O pátio como praça
Nada destrói a intimidade
Da sua humana geometria.
Irei a Évora para reencontrar
A perdida harmonia.
Poema: Manuel Alegre
Foto: P. Penincheiro

Esse negro corcel, cujas passadas
Escuto em sonhos, quando a sombra desce,
E, passando a galope, me aparece
Da noite nas fantásticas estradas,
Donde vem ele? Que regiões sagradas
E terríveis cruzou, que assim parece
Tenebroso e sublime, e lhe estremece
Não sei que horror nas crinas agitadas?
Um cavaleiro de expressão potente,
Formidável, mas plácido, no porte,
Vestido de armadura reluzente,
Cavalga a fera estranha sem temor:
E o corcel negro diz: "Eu sou a Morte!"
Responde o cavaleiro: "Eu sou o Amor!"