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9 de julho de 2009

Per te..


"Minh’alma, de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não es sequer razão do meu viver,
Pois que tu es já toda a minha vida!

Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo , meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!

"Tudo no mundo é frágil, tudo passa..."
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!

E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu es como Deus: Princípio e Fim!..."

- Florbela Espanca -
Foto António Lança - Olhares

7 de maio de 2009

Foi por ti..

Foi para ti que criei as rosas.
Foi para ti que lhes dei perfume.
Para ti rasguei ribeiros
e dei às romãs a cor do lume.

Foi para ti que pus no céu a lua
e o verde mais verde nos pinhais.
Foi para ti que deitei no chão
um corpo aberto como os animais.


Eugénio de Andrade

11 de junho de 2008

Feiticeiro


Se eu fosse feiticeiro
Ou o génio do Aladino
Pegava no mundo inteiro
E tornava-o pequenino

Tão pequenino que cabia
Na palma da minha mão
E ao ver-te o mundo sorria
E em paz adormecia
Sem medo da solidão

Depois dava-te uma flor
Mágica e poderosa
Com pétalas feitas de amor
E de sonhos cor-de-rosa

E então vinha a preceito
Uma varinha do condão
Que ao tocar-te no peito
Tornasse em amor-perfeito
O teu perfeito coração.

João Mendonça in "Fragmentos"


10 de março de 2008

Adesso che il tempo sembra tutto mio

e nessuno mi chiama per il pranzo e per la cena,

adesso che posso rimanere a guardare

come si scioglie una nuvola e come si scolora,

come cammina un gatto per il tetto

nel lusso immenso di una esplorazione, adesso

che ogni giorno mi aspetta

la sconfinata lunghezza di una notte

dove non c'è richiamo e non c'è più ragione

di spogliarsi in fretta per riposare dentro

l'accecante dolcezza di un corpo che mi aspetta,

adesso che il mattino non ha mai principio

e silenzioso mi lascia ai miei progetti

a tutte le cadenze della voce, adesso

vorrei improvvisamente la prigione.



Patrizia Cavalli

26 de fevereiro de 2008

Ah, quem me dera ir-me
Contigo agora
Para um horizonte firme
(comum embora...)
Ah, quem me dera ir-me!!


Ah, quem me dera amar-te
Sem mais ciúmes
De alguém em algum lugar
Que não presumes...
Ah, quem me dera amar-te


Ah, quem me dera ver-te
Sempre a meu lado

Sem precisar dizer-te

Jamais : cuidado...

Ah, quem me dera ver-te


Ah, quem me dera ter-te
Como um lugar
Plantado num chão verde
Para eu morar-te
morar-te até morrer-te...


Vinicius de Moraes


15 de setembro de 2007

Curiosidades..


Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro o amor em teu olhar
É uma pedra
Ou um grito
Que nasce em qualquer lugar

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal aquilo que sou
Sou um grito
Ou sou uma pedra
De um lugar onde não estou

Às vezes sou também
O tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar

Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer
É uma pedra
Ou um grito
De um amor por acontecer

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p'ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história d'aquilo que sou



Letra e música de Maria Guinot
(vencedora do festival da canção de 84)






Biografia:

Maria Guinot começou os seus estudos de piano com apenas quatro anos. Contudo, um acidente entretanto sofrido trouxe-lhe mazelas várias numa das mãos, roubando-lhe por momentos o desejo de uma profissionalização futura. O facto não constituiu impedimento para a finalização do curso no Conservatório, e três anos mais tarde ingressou no Coro Gulbenkian. Em 1968, participou pela primeira vez num programa de rádio, o que acabou por conduzir à gravação do seu single de estreia, seguido ainda de um segundo, onde constava o tema "Criança Loura".
O afastamento do Coro Gulbenkian e o casamento adiaram depois a prossecução dos seus objectivos de carreira. O regresso ao Coro proporcionou-se em 1974, contudo, as gravações ou aparições maiores ficaram adiadas ainda por sete anos. O Festival RTP da Canção de 1981 foi a ocasião escolhida para o retorno, para o qual concorreu com o tema "Um Adeus, Um Recomeço". Mas, o sucesso de forma clara foi alcançado três anos depois, uma vez mais no Festival, quando a vitória lhe sorriu com o tema "Silêncio e Tanta Gente". O triunfo em Portugal, não teve, no entanto, a continuidade desejada na Eurovisão, onde a cantora e pianista não foi além do 11º lugar. A fama então conseguida proporcionou uma vasta digressão, que contou com apresentações em Moçambique, na Austrália e nos Estados Unidos.
Uma nova aparição na televisão, no programa "Deixem Passar a Música", motivou depois a gravação de novos temas originais. O álbum de estreia da pianista apareceu somente em 1987. "Esta Palavra Mulher" chegou ao mercado em edição de autor. O Festival da Canção conheceu de novo a sua interpretação nesse ano, quando alcançou o terceiro lugar com a canção "Imaginem Só". O segundo registo maior de Maria Guinot apareceu em 1991. O homónimo "Maria Guinot" teve produção de José Mário Branco.


13 de setembro de 2007



"Solto em noite de bruma
Meu amor por sobre o mar
Feito sol azul espuma
Barca bela por navegar

E na distância chora
minha alma por te encontrar
solta no vento do tempo
que teima em não chegar

Repetem as ondas teu nome
num lento e doce ecoar
dança que as horas repetem
aos olhos que não te vêem voltar"





Poema- Susana Rosa
Imagem - "night" Sir Edward Jones


11 de setembro de 2007


Esse negro corcel, cujas passadas
Escuto em sonhos, quando a sombra desce,
E, passando a galope, me aparece
Da noite nas fantásticas estradas,

Donde vem ele? Que regiões sagradas
E terríveis cruzou, que assim parece
Tenebroso e sublime, e lhe estremece
Não sei que horror nas crinas agitadas?

Um cavaleiro de expressão potente,
Formidável, mas plácido, no porte,
Vestido de armadura reluzente,
Cavalga a fera estranha sem temor:

E o corcel negro diz: "Eu sou a Morte!"
Responde o cavaleiro: "Eu sou o Amor!"


No dia 11 de Setembro de 1891
morreu Antero de Quental


11 de junho de 2007

Garça Perdida


Anoiteceu no meu olhar de feiticeira,
de estrela do mar, de céu, de lua cheia,
de garça perdida na areia.
Anoiteceu no meu olhar,
perdi as penas, não posso voar,
deixei filhos e ninhos,
cuidados, carinhos, no mar...
Só sei voar dentro de mim
neste sonho de abraçar
o céu sem fim, o mar, a terra inteira!
E trago o mar dentro de mim,
com o céu vivo a sonhar e vou sonhar até ao fim,
até não mais acordar...
Então, voltarei a cruzar este céu e este mar,
voarei, voarei sem parar à volta da terra inteira!
Ninhos faria de lua cheia e depois,
dormiria na areia...



Este é um dos poemas de João Mendonça, composto para ser musicado por Dulce Pontes.

João Mendonça foi um poeta e letrista açoriano que desapareceu de entre nós de uma forma fulminantemente tremenda..e foi para sempre esquecido..
Esta é uma pequenina homenagem aos seus feitos..




Pequena biografia:



Nasceu na ilha de São Miguel, Açores, em 22 de Junho de 1947 e faleceu a 03 de Agosto de 2004. Poeta, escreveu um único livro "Fragmentos". Fragmentos daquilo que escreveu sobre si, sobre as pessoas que amava, daquilo que era, daquilo que não foi e gostaria ter sido, e daquilo que nunca será. "Por isso, eu sou esta ilha que há em mim e que em ilha me transforma"












Dulce Pontes ( que gravou vários temas deste poeta) no seu novo álbum “O coração tem três portas” relembra e homenageia o poeta da seguinte forma: "Este é um tema muito autêntico, de uma grande verdade e em que homenageio um querido amigo", realçou.




A Verdade do Poeta

É de sonhos que tece
A verdade do poeta
E a poesia acontece
Quando o poeta se esquece
De acordar na hora certa

Com o corpo adormecido
E a alma bem desperta
A vida faz mais sentido
E murmura ao ouvido
Do sonho a palavra certa

E depois é só trocar
Por palavras sentimentos
E as emoções enganar
E fazê-las confessar
Os verdadeiros intentos

É roubar ao pôr-do-Sol
Um raio de luz derradeiro
E fazer dele um farol
Que ilumine o mundo inteiro.






31 de maio de 2007

Noturno

Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a Lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento...

Como um canto longínquo - triste e lento-
Que voga e subtilmente se insinua,
Sobre o meu coração que tumultua,
Tu vestes pouco a pouco o esquecimento...

A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando. entre visões, o eterno Bem.

E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém!

Antero de Quental




(night Sir Edward Burne Jones)


14 de maio de 2007

The happy sun is shining..

The happy sun is shining
The fields are green and gay,
But my poor heart is pining
For something far away.
It`s pining just for you,
It`s pining for thy kiss.
It does not matter if you're true
To this.
What matter is just you.


I now the sea is beaming
Under the summer sun.
I know the waves are gleaming,
Each one and every one.
But I am far from you,
And so far from your kiss!
And that`s all I get that's really true
In this.
What matters is just you.


Oh, yes, the sky is splendid,
So blue as it now,
The air and light are blended,
Oh yes, hot, anyhow,



Nothing of this is you
I'm absent from your kiss,
That`s all I get that`s sad and true
In this
What matter is just you.