31 de maio de 2007

Noturno

Espírito que passas, quando o vento
Adormece no mar e surge a Lua,
Filho esquivo da noite que flutua,
Tu só entendes bem o meu tormento...

Como um canto longínquo - triste e lento-
Que voga e subtilmente se insinua,
Sobre o meu coração que tumultua,
Tu vestes pouco a pouco o esquecimento...

A ti confio o sonho em que me leva
Um instinto de luz, rompendo a treva,
Buscando. entre visões, o eterno Bem.

E tu entendes o meu mal sem nome,
A febre de Ideal, que me consome,
Tu só, Génio da Noite, e mais ninguém!

Antero de Quental




(night Sir Edward Burne Jones)


3 comentários:

Évora à Sombra disse...

Por tão merecido ser e nobre canto,
Escuto serenamente o som do teu tormento,
Oriundo da tempestade feita pranto,
Que acalmarei, ouvindo teu lamento.

isabel disse...

a lenda que deixaste na lagoa mágica que mora na minha lua encheu de encanto o meu entardecer... é tão bonito ser visitada pelas tuas palavras! beijinhos com o mar ao fundo!

Anónimo disse...

como sabias que adoro este poema? beijos

IHR